A iPresas participou das VIII Jornadas de Engenharia da Água (JIA 2025), realizadas em Zaragoza nos dias 22 e 23 de outubro, apresentando os resultados do projeto de definição de obras de mitigação contra inundações no Vale de Sula (Honduras). O trabalho foi promovido pela Secretaria de Infraestrutura e Transporte (SIT) de Honduras e financiado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), com o objetivo de reduzir o risco de desastres em uma das regiões mais expostas da América Central.
Um território chave para Honduras
O Vale de Sula é o motor econômico do país: concentra 60% do PIB nacional e é lar de 2,6 milhões de pessoas. No entanto, sua localização e desenvolvimento urbano o tornam especialmente vulnerável a eventos hidrometeorológicos extremos, como demonstrado pelos furacões Eta e Iota em 2020, que causaram impactos sociais e econômicos significativos.
Essa situação justificou a implementação de uma abordagem integrada de gestão de riscos, orientada para priorizar investimentos e fortalecer a resiliência territorial.
Abordagem metodológica baseada na gestão de risco de desastres
O projeto aplicou a Metodologia de Avaliação de Risco de Desastres e Mudança Climática (MERDCC), desenvolvida pelo BID, combinando análise qualitativa e quantitativa. Entre as principais atividades realizadas, destacam-se:
- Workshop multidisciplinar com mais de 40 especialistas de instituições hondurenhas (CCIVS, COPECO, SEFIN, ENEE, CODEM etc.).
- Identificação de 21 modos de falha, muitos deles classificados como Risco Alto.
- Desenvolvimento de modelos hidrológicos e hidráulicos para diferentes cenários de vazão.
- Geração de mapas de inundação e estimativa de consequências.
- Desenvolvimento de um modelo quantitativo de risco para avaliar perdas econômicas e risco à vida humana.
Essa abordagem permitiu definir uma carteira otimizada de obras de mitigação e medidas não estruturais.
Resultados: redução do risco e viabilidade econômica
A comparação entre a situação atual e o cenário com obras mostra benefícios significativos:
a implementação das intervenções reduz o risco social e econômico atual no Vale em 35% e 13%, respectivamente. Mesmo sob cenários de mudança climática ou crescimento populacional, as medidas continuam sendo eficazes.
Além disso, a análise de custo-benefício confirmou a viabilidade do projeto.
Mais do que infraestrutura: fortalecimento institucional e comunitário
O projeto também incluiu a elaboração de um Plano de Gestão de Risco de Desastres (PGRD), incorporando ações como:
- Reforço do Sistema de Alerta Precoce.
- Protocolos de preparação e resposta comunitária.
- Governança de bacias hidrográficas e ordenamento territorial.
- Promoção de edificações resilientes.
Construindo resiliência em Honduras
A apresentação nas VIII Jornadas de Engenharia da Água destacou como a tomada de decisões baseada na análise de risco permite priorizar investimentos com impacto social real e sustentável


